Arquivos para o mês de: julho, 2012

ESTAVA com fome após uma noite de bebedeira e resolvi ver do que se tratava aquele tal daquele Sukiya. Teoricamente famoso por seu Gyudon mas, na prática, famoso pelos preços baixos. Digo que fiquei feliz com a refeição, feliz que ela não me fez passar mal como ameaçava. No variado cardápio, cujo carro chefe é o gyudon, se destaca o misoshiru que tem gosto de misoshiru mesmo, fiquei bem contente com isso, podia ter gosto de qualquer outra coisa aquele negócio.

Aparentemente eles são uma empresa preocupada com o meio ambiente, pois estimo que apenas 30% da “carne” do gyudon é carne de verdade. É uma tradição oriental milenar economizar na proteína e fazer sopa de casco de boi se for preciso para aproveitar tudo ao máximo. Foi daí que os chineses inventaram/descobriram o seitan, a carne de glúten, que tradicionalmente eles usam para imitar carne de caranguejo mas que os vegans do mundo aproveitaram para imitar carne de vaca em formato de bifinhos.

Eu já fiz seitan, que é um processo bem curioso. Você faz uma bola de massa de farinha de trigo comum e vai lavando a desgraçada até todo o amido (solúvel em água) ir esgoto abaixo. Dessa experiência conheci os vários estágios da textura do bagulho. Daí a minha estimativa que 70% da carne de lá é seitan. Também tenho 70% de chance que não vou morrer depois de ter comido lá, mas talvez eu tenha pego hepatite da máquina de passar cartão.

BUSCANDO os limites da razão humana e uma possivel fundamentação da metafísica enquanto ciência. Kant, o filho de fabricante de correias preferido da filosofia ocidental (a partir daqui referido apenas como Emanuel), esbarrou na crítica à causalidade de Hume (que vou chamar de Hume mesmo). Emanuel partiu da problematização que Hume colocou, de que não é possível inferir uma causa de um efeito, posto que este efeito já teve que acontecer para sua causa tornar-se sua causa. Dando um imenso e temerário salto lógico, estabeleço minha cosmologia a partir daí:

Problema da Causalidade em Hume


Da impossibilidade da concepção de causalidade, sem nos referirmos a fatos já ocorridos, o mundo é determinado. Não temos acesso a uma cadeia causal que explique a interrelação do que existe. Podemos apenas esforçar nosso intelecto em generalizar uma artificial causalidade que nos justifique racionalizar o c@os. Pelos limites da razão humana temos acesso somente ao nosso processo interno, não existe nada imediato entre os fenômenos e nossa mente. A impossibilidade de inferir efeitos a partir de causas corta a possibilidade da suposição, não só do efeito, mas também da causa das coisas mesmas. Portanto só temos acesso ao que já foi, por intermédio de nossos processos internos, e do que é, agora, através das sensações. O que vai acontecer depois então, seilá meo, alguém tem que ver isso daí.

Se você apertou nos links e não sabe inglês tá aqui o link do Yazigi.

Entre os pixos “Mais amor por favor <3” e o “O amor é importante, porra” eu fico com “Amor é o Caralho”. Que só vi uma vez mas achei bem melhor que os dois outros, pois se assumia enquanto algo de fato. Defender o amor enquanto ente abstrato é tão útil quanto ser contra a corrupção, contra o câncer, contra o estupro. Acho muito estranho se impor contra algo que está subentendido que, se você for a favor, toda a sociedade de qualquer cultura e época da humanidade vai te execrar.


Também quero que vá se foder esse fascismo que está poluindo meus pontos de ônibus com poesia ruim em formato de lambe-lambe. Algo como “olhou apaixonado para a esposa e desviou o olhar quando ela viu” ou “dividir o fone de ouvido com seu amor, vontade de beijar” beija o meu saco peludo. Eu já li e escrevi a minha parcela de poesia ruim nessa vida, mas eu nunca obriguei a tiazona da sacola (figura mistica dos pontos de ônibus, que pretendo estudar com mais calma) a ler cocô. Cara, ela já passou por tanta coisa na vida que você não tem noção. Para de maltratar a coitada com sua tentativa infeliz de arte, por favor? Brasil Amoroso do caralho…

Boston & Bigs #1

A Descoberta


Estava lá eu descendo a Cardeal Arcoverde no meu Lapa-R™, quando me deparei com um cavalete com os dizeres “Veículo Guinchado ligue 1188” e tive um momento de prazer. Me lembrou de quando eu trabalhava meio período e já tinha chegado em casa quando começava a chover (choveu muito aquele ano) e eu olhava para fora e começava a rir “MUAHUAHUA” das pessoas que estavam lá fora, levando balde d’água no côco. Me lembrou também do conceito de schadenfreude, e como eu achei ele imbecil quando vi pela primeira vez. Só agora talvez eu tenha me tocado que o problema estava na analogia que costumam usar para explicar esse conceito. Geralmente para explicá-lo usam um exemplo como “é como quando você ri quando vê alguém cair na rua” e eu penso “tu é um puta de um babaca, eu não acho graça nisso”, porque eu realmente não rio ao ver alguém cair na rua. Eu sou uma pessoa melhor que isso. Eu rio quando eu estou em casa sequinho e geral tá levando balde d’água no côco ou um retardado se fodeu porque deixou o carro parado na Cardeal de um dia pro outro, gênio. Me fez pensar também que vídeo cassetadas deve fazer um puta de um sucesso na Alemanha, deve ter um canal pay per view só com vídeo cassetadas. Inclusive se não tiver eu vou fazer agora.

foto de reconstituição