PASSANDO OS OLHOS por uma lista de 16 Coisas Que Vão Você Fazer Se Sentir Velho, pessoas da minha faixa etária ficam nostalgicamente emocionadas com o brinquedo no qual você fazia a autopsia de um alien com gosma dentro, ou com o jogo da vida, ou com os GI Joe, ou com o pogobol, ou inúmeros outros exemplos de nostalgia imbuída as produtos de massa. O problema é que essas coisas nos faz sentir velhos mesmo, e o real valor da idade perde sentido neste movimento, onde a descontinuidade de um produto faz você sentir todo o peso dos anos que o trouxeram até aqui.

Com os vinte nove anos que tenho, eu não sou velho, e algo que nunca quero perder a noção, o foco, é o valor que outros mais velhos que eu realmente possuem, que eu não tenho. Um ser humano de 60 anos, qualquer um deles, mesmo que seja um raquítico professor universitário, paupérrimo de experiências e mundo de fora, tem muito mais a me apresentar, de maneira muito mais complexa, do que eu poderia ser capaz de entender. Eles aprenderam lições que muitas vezes não são transferíveis através da linguagem codificada da escrita e fala, e é essa a diferença para mim entre conhecimento e sabedoria, e o mero (como se fosse pouco) existir no mundo, os deu uma sabedoria que você ainda não possui.

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Fora isso também existe uma velha ferramenta da retórica, o argumentum ad novitatem que, pelo próprio desenvolvimento e enraizamento do falso progressismo evolucionista em nossas jovens cabeças, nos faz sentirmo-nos velhos. A crença de que enxergar algo que nos foi próximo e não mais está lá, como o brinquedo de autopsia alienigena, aliado à constante e crescente ansiedade de estarmos perdendo algo sempre, nos autoriza confundir a perda de algo extremamente fugidio, com o peso idade, com o valor da experiência, com a gravidade da sabedoria. Não, você não está ficando velho, só está passando tempo de mais na internet.

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