ACHO QUE grande parte da função do trabalho categorial, classificatório, é parar de pensar sobre a coisa categorizada. Não estou falando apenas, mas também, do desvio de função comum aos departamentos de uma empresa: “esta não é a minha função” de quando se utiliza esse artifício para jogar a pica para outra pessoa, movimento que no final das contas, quando se está de fato envolvido no trabalho moralmente, acaba sendo um problema seu também, e isso fala mais sobre a sua postura moral para com o todo do que da estrutura funcional da empresa. O problema geral que quero tratar aqui, que empobrece o pensamento sobre um objeto, se aplica mais claramente quando se dá por encerrada uma questão a depositando adequadamente em uma supra categoria que não explica muito, como por exemplo classificar um problema enquanto “cultural”, muito comum e muito inútil hoje em dia na segunda década do segundo milênio da era cristã no calendário gregoriano.

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Saber onde as coisas devem ir não quer dizer que você sabe o que fazer com elas.

Peguemos a noção de algo ser cultural, essa denominação sequer pertence a uma categoria mesma por poder significar distintas áreas não apenas do conhecimento dos doutos mas também do senso comunzão de nois aqui do ponto de ônibus, com o qual trabalhamos diariamente. Cultura pode significar no mesmo movimento povo, erudição, peculiaridade, tradição, nação, entre outros variados sentidos mais vazios como a função publicitária alimentada de uma noção de pertencimento materialista colecionista, como por exemplo a cultura sneaker. O trabalho categorial na maior parte das vezes encerra o trabalho de pensamento sobre o objeto, o que não é necessariamente ruim, posto que pode ser muito útil parar de pensar sobre algo, mas a mera coleção de conceitos devidamente categorizados, especialmente quando as categorias não são fruto de questionamento sério, não é um trabalho de fato, e pode funcionar como um arraigamento vil de supra noções não apenas inúteis, como também daninhas, pois além de descartar apressadamente o pensamento sobre os objetos mesmos, se deposita cada vez mais crença em uma superestrutura que continua imune ao pensamento sério.

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